Domingo, Novembro 23, 2008

Família

Hoje, durante mais um almoço de domingo, cercada por irmãos, sobrinhos, meu pai e minha madrasta, repetidas vezes me peguei pensando:

"Quem são essas pessoas?"

E aposto que eles deviam estar pensando o mesmo de mim e da Vanessa.

O fato é que nós não temos nada ver, minha família e eu. Nada, nada, nada, nada. São um bando de pessoas bonitas, magras, fashion, felizes, mainstream, super extrovertidas, que amam festas e são loucas por crianças. E nós...bem....somos um par de cachorreiras/gateiras convictas, gays, desleixadas, bichos-do-mato, iconoclastas e não-exatamente-magrinhas sem lá muita afinidade com os baixinhos.

É.....
.....complicado.

Pendurado por Sylvia às 4:41 PM ::

Sexta-feira, Outubro 31, 2008

Parque do Ibirapuera

Nas últimas semanas tenho sentido orgulho de mim mesma. Resolvi encarar um regime rigoroso depois que minhã irmã voltou para os Estados Unidos. Mas rigoroso mesmo. E criterioso. Não é possível que alguém que se meta a estudar Nutrição seja gordo, né? Que moral terei com os clientes desse jeito? Além disso, meus joelhos estão indo para o beleléu. O direito produz estalidos quando subo escadas - o que me dá uma aflição danada. Existe um fortíssimo componente hereditário aí, mas o sobrepeso ajuda e muito a piorar.

Nunca fiz regime assim. Me pesando regularmente, anotando os quilos perdidos, praticando uma hora de caminhada quase todos os dias. Comendo porções menores. Não tem sido fácil. É particularmente complicado pelas manhãs, quando tento convencer meu estômago a se contentar com uma maçã enquanto vejo minhas amigas da faculdade enterrarem os dentes em croissants quentinhos, esfihas macias e tortas de brigadeiro. Outro dia senti dificuldade em disfarçar o fato de que eu simplesmente não conseguia mandar nos meus olhos. Encarei mesmo o lanche de uma colega. O tempo todo enquanto ela comia. Mas fiquei só nisso.

Os exercícios físicos têm me feito muito bem. É uma hora na qual me entrego a pensamentos bestas, me desligo dos problemas e escuto várias vezes as mesmas músicas anestésicas da Tori Amos, do Seal, da Esthero e Tdo The Shins. E quem disse que é ridículo paulista se admirar com a natureza do parque do Ibirapuera? É lá que me exercito, todos os dias, com a Van, e os cachorros. E é lindo, sim. Limpo, bem planejado. Criamos uma rota de caminhada ótima, dá uma hora certinho. No caminho, passamos por árvores e vistas do lago de tirar o fôlego. Nunca acreditei muito em cromoterapia até me sentir profundamente afetada pelo lilás de uma flor que cai aos montes em uma rua lá do parque. Contemplar o brilho de centenas dessas florzinhas roxas espalhadas pelo chão me faz um bem tremendo. Esquisito, né?

Durante a semana o parque é bem vazio. A gente passa a reconhecer os rostos que também estão lá todo dia, no mesmo horário. Modelos profissionais correndo, tanto homens quanto mulheres. Pessoas reunidas aos pares à beira do lago. Gente sentada sob as árvores para ler. Casais gays - os meninos em bancos isolados, as meninas caminhando de braços dados. Um monte de passarinhos. E aquele verde todo. Muito bem cuidado, por sinal.

Vale a pena dirigir meia hora na ida e meia hora na volta para chegar lá.

Pendurado por Sylvia às 8:56 PM ::

Quarta-feira, Setembro 24, 2008

Papo de fila de supermercado

Esses dias, na fila do supermercado, Van e eu conversávamos sobre filhotes de cães e ninhadas. Notei que uma senhorinha logo ao lado se inclinava em nossa direção, sutilmente buscando uma brechinha na conversa. Finalmente, contou que não pôde deixar de ouvir nossa conversa. Sua cadela Lhasa Apso acabara de ter filhotes. Imediatamente pensei se tratar de uma propaganda dos bebês, do tipo "vocês não querem? sabem quem quer?"

Mas, para a minha total surpresa, não foi nada disso. A senhorinha perguntou se entendíamos de rações e pediu nossa opinião sobre um pacote genérico que ela tinha em mãos. "Já experimentei todas as marcas mas a cadelinha não come nenhuma", contou desanimada. Não pude evitar. Me pus a falar sobre a dieta natural, caseira, que preparamos para nossos três cães e dois gatos, com imensos benefícios. Ela ouviu com atenção. E foi literalmente afrouxando o abraço ao pacote de ração. "A senhora pega peito de frango, junta uns legumes, faz um pózinho de casca de ovo e serve", eu disse. Era uma fila de supermercado e não havia tempo para orientações mais complexas. Indiquei o site para ela consultar com calma.

Mas o interessante foi ver o rosto da senhorinha. Era como se essa pequena transgressão - de trocar a ração pela contra-indicada comida - confirmasse seus instintos. É claro que a veterinária a havia aterrorizado com histórias da carochinha de que comida de cachorro é a ração que ela vende na clínica e todo aquele blá blá blá. Mas isso não impediu a senhorinha de manter viva sua intuição. Ela só precisava desse empurrãozinho. Antes de largar de uma vez por todas o saco de ração naquela cesta para itens rejeitados que fica antes do caixa, ela soltou, com um ar malandro: "Bem que eu sabia! Eu sabia que comida de verdade era a melhor coisa para os bichinhos." E voltou para o supermercado.

Desta vez, em direção a seção de carnes frescas.

Pendurado por Sylvia às 6:13 PM ::

Sábado, Setembro 20, 2008

Ciência

...but then what kind of scale
mas que tipo de balança

compares the weight of two beauties
compara o peso de duas belezas?

the gravity of duties
a gravidade de tarefas?

or the ground speed of joy?
ou a velocidade da alegria?

tell me what kind of gauge
me diga que tipo de escala

can quantify elation?
é capaz de quantificar a euforia?

what kind of equation
que tipo de equação

could i possibly employ?
eu poderia empregar?...


(Ani Difranco, School Night)

Poucas horas depois depois de tomar míseras quatro gotinhas diárias de Phosphorus, um medicamento homeopático, já senti resultados. No meu temperamento, principalmente. Me sinto mais segura, ainda que continue sendo, por natureza, insegura. Há mais de um mês larguei de roer as unhas. Emprego menos subterfúgios em minhas comunicações. Menos "tipo", menos "desculpa, é que...". É um modo mais saudável de se viver. Sinto menos culpa o tempo todo. Durmo melhor. E parei de suar profusamente na axila direita. Esse e o zumbido no ouvido (também o direito) foram as queixas que me dirigiram à Dra. Lia. Na nossa primeira consulta, mencionei minhas idas anteriores a medalhões da medicina convencional em busca de resolver esses problemas.

Nessas ocasiões, como é de praxe na alopatia, meu histórico pessoal não fora investigado. Médicos sisudos se limitaram a recomendar exames e cirurgias. "Extirpe a glândula sudorípara; é o único remédio." Ainda bem que trago comigo uma relutância em relação às convenções médicas, principalmente às de caráter paliativo, supressor. Cresci testemunhando o que fármacos lícitos fizeram com a minha mãe - embora com a absoluta permissão dela. Cresci alheia a esses modelos de saúde da atualidade - gente magra, malhada, botocada, bezuntada de cremes exóticos, sempre disposta a servir de cobaia para a indústria farmacêutica. Resultado: aprendi a conviver com o suadouro.

Mas eis que, quase cinco anos mais tarde, as gotinhas homeopáticas me trouxeram alívio. Sem efeitos colaterais. A dez reais o vidrinho. Viva a Dra. Lia! Sentada em seu consultório, contando minha vidinha, percebi como muitas vezes informações sobre aspectos microscópicos - nomes de células, de neurotransmissores, de receptores, de segundos mensageiros - parecem um esforço reducionista. Com o direcionamento sensível da médica, levei poucos instantes para resgatar o evento da minha vida que desencadeou o suor maluco. E quando foi? Justamente quando me vi forçada a sair de casa, aos 19 anos. Quando fui morar sozinha. Aquela experiência, de alguma forma, me descompensou. Digo "de alguma forma", porque nunca saberei que diabo aconteceu em nível celular, molecular, humoral. Tampouco, pra ser sincera, me interessa.

O que me importa é que melhorei, assim como meu cão, o Goomba, tomou as gotinhas dele e sarou espontaneamente de coceiras diversas e outros probleminhas igualmente mal abordados pela medicina convencional. Desde que eu continue a sentir resultados e transformações profundas, estarei disposta a tolerar um pouco de mistério.

Lendo o livro "The Nature of Animal Healing", do médico-veterinário holístico Martin Goldstein, me deparei com uma passagem interessantíssima, e que reflete um posicionamento que passei a adotar em relação à ciência de hoje. Curiosamente, o trecho foi retirado do livro "Jurassic Park" (sim, o que deu origem ao filme homônimo), escrito pelo médico e romancista Michael Crichton.

"O conceito básico de ciência - de que havia uma nova maneira de encarar a realidade, de que ela era objetiva, de que ela não dependia das nossas crenças ou de nossa nacionalidade - de que ela era racional - esse conceito era novo e excitante naquela época. Oferecia esperança e promessas para o futuro, e varreu para longe o velho sistema medieval que tinha centenas de anos. O mundo medieval de políticas feudais e dogmas religiosos e superstições fanáticas caiu perante à ciência. Mas na verdade isso se deu porque o mundo medieval já não funcionava mais. Não funcionava economicamente, não funcionava intelectualmente, e não servia mais ao novo mundo que surgia.

Mas agora a ciência é o sistema de crenças que tem centenas de anos de idade. E, assim como o sistema medieval que a precedeu, a ciência está começando a não servir mais a esse mundo. A ciência obteve tanto poder que suas limitações práticas começaram a transparecer. Em grande parte graças à ciência, bilhões de nós habitamos um único mundinho, densamente populado e em contato permanente. Mas a ciência não consegue nos ajudar a decidir o que fazer com esse mundo, ou como viver. A ciência pode construir um reator nuclear, mas não pode nos dizer "não o construa!" A ciência pode fazer um pesticida, mas não pode nos impedir de utilizá-lo. E assim nosso mundo começa a se poluir nos pontos fundamentais - o ar, a água e a terra - por conta da ciência desgovernada.

E então a grandiosa visão da ciência, com centenas de anos de vida - o sonho do controle total - morreu no nosso século. A ciência sempre disse que pode não conhecer tudo agora, mas que conhecerá tudo, eventualmente. Mas hoje vemos que isso não é verdade. Trata-se de uma pretensão tola. Tão equivocada e ingênua quanto uma criança que se atira do alto de um prédio acreditando que pode voar."

Pendurado por Sylvia às 12:05 AM ::

Domingo, Setembro 14, 2008

Entre bytes e resfriados

Comigo é sempre assim: enquanto determinadas áreas da minha vida vão de vento e popa, outras desmoronam espetacularmente. Ontem eu dirigia pela Vila Mariana num fim de tarde azulado-lindo, completamente entorpecida e mergulhada nas canções da Ani Difranco. Estava feliz também por ter concluído o curso de extensão em Homeopatia. Certificado no banco ao lado. Talvez o único certificado que já amei - de todas as dezenas que possuo. O certificado do único curso que me inspirou, que me elevou. Que me deixava infantilmente à beira da carteira, com vontade de erguer o braço a todo momento para comentar tudo o que tenho lido sobre alimentação, vacinas e medicamentos.

É quase um barato. E ultimamente eu tenho acolhido "baratos". Preciso deles. Comer o que gosto, já não posso mais. Tenho artrose nos joelhos - e um histórico familiar pessimista: meu pai tem, meu avô teve, quase todas as minhas tias já operaram. Preciso emagrecer bem. Mas tenho medo. Não tenho estrutura para encarar um regime brabo agora. Tenho um link emotivo com a comida. Comida, pra mim, tapa "n" buracos. Racionar é um sacrifício. Se eu não já não estivesse enfrentando outros vários mini-sacrifícios cotidianos, tudo bem. É quase dolorido largar assim meus reforços positivos.

Não tem viagem me esperando no final do ano e isso é uma barra pra mim. Queria escapar, fugir, dar um tempo. Não atender telefone, não ouvir vozes familiares, não cumprir com obrigações corriqueiras (pagar contas, enfrentar o mesmo trânsito de todo dia, comprar comida) por pelo menos uns 10 dias. Também não vai dar. E férias em casa, sejamos sinceros, nunca são férias de verdade.

Fora comer, outro grande prazer na minha vida tem sido escrever no meu outro blog, o Cachorro Verde. Por mim vivia em função dele. Outro prazer: guiar ouvindo Ani bem alto. De preferência as melancólicas dela. Dá pra desplugar o cérebro e ir pra outra dimensão. E é disso que estou precisando mesmo.

Ando muito irritável. Muitas coisas não são mais como antes. A gente vai falar uma coisinha à toa e sai uma cobrança, sai um sermão. A gente vai oferecer consolo e soa meio fake. Perde aquilo que motiva a cumplicidade, perde a paciência. Perde vontades, perde o caminho de volta. E não há diálogo, não há expressão mútua das coisas. Há só a minha voz, a pedir coisas.

É preciso romper com certas obrigações a qualquer custo. É preciso atingir um novo modus operandi. Depois pode ser tarde demais.

Pendurado por Sylvia às 1:14 PM ::

Sábado, Julho 19, 2008

Next stop: Neverland

Mais de um mês sem postar. É fogo quebrar promessas. Isso me desgasta bastante. Juntamente com "comer porções menores", "brincar com os cães diariamente" e "evitar aspartame" está a promessa "atualizar meus blogs". Todos eles. Mas é difícil. Às vezes me encontro ociosa e fico em dúvida entre aproveitar esse tempo para ler um livro do Sandman, jogar Roller Coaster Tycoon (o primeiro, velhão mesmo) ou fazer algo "mais produtivo", como escrever. Quando estou brigada comigo não consigo fazer nada direito. E eu tenho estado. Quer dizer, está tudo bem comigo. Estamos morando em uma casa (!!!), linda, com jardim e árvores. Os cães estão felizes, os gatos idem, e o coelho e o peixe não me parecem nada mal também.

Encontrei um caminho, com a Homeopatia e a Nutrição Natural para pets. Se dependesse de mim, ficava o dia inteiro lendo meus livros sobre esses assuntos, colando posts-its nas partes interessantes e absorvendo tudo sobre fisiologia, bioquímica, alimentação e Homeopatia. Ah, e sobre vacinas, que descobri recentemente serem outro embuste escabroso da indústria farmacêutica. Mas não dá. É preciso fazer tanta coisa. Dormir pelo menos sete horas. Escovar os dentes enclinando a escova a 45 graus. Lavar a louça. Cozinhar legumes. Pagar as contas. Atender a telefonemas. Limpar a conta de e-mail.

Meu problema, no fundo, no fundo, é que eu não quero crescer. Nunca consegui abraçar essa vida de adulto.

Eu pareço madura, pareço adulta. Mas é um esforço diário, apenas. Uma obrigação que assumo porque sei que não há outro jeito. Detesto encarar minha conta bancária. Não gosto de ir a médicos, aliás fujo deles. Ignoro quem me desgasta, me cobra, me torra o saco. Como uma criança que escolhe não reconhecer alguma coisa, na esperança de que aquilo suma. Tenho sonhado acordada com a Disney e os outros parques. Me imagino descendo montanhas-russas, tomando sorvete no formato das orelhas do Mickey, desdobrando mapas coloridos, tirando foto com o Capitão Gancho. Às vezes, imaginar viagens, por si só, me faz feliz.

Eu não quero crescer.

Quando fiz 20 anos, cantei aquela música da Elis ("Eu tenho mais de vinte anos...") no carro ouvindo um cd que fora presente da minha psicóloga. Eu sabia que meus dias de "fofa", "original", etc, estavam contados. Ninguém acha bonitinho uma pessoa de, sei lá, 30 anos com um talento sem utilidade prática. Sabia que as responsabilidades só se empilhariam. Mais e mais. E, sabia, já naquela época, que o Jornalismo, pra mim, não iria virar. Não virou. Não me encaixei. Foi melhor assim, fui forçada a resgatar um sonho de infância: a Veterinária.

Eu não quero crescer. Quero assistir a Ratattouille com meu pai e comer besteiras. Quero os prazeres bestas de uma tarde dedicada a pregar figurinhas ou a ler gibis da Turma da Mônica. Já nem lembro como eram os tempos pré-Internet. Menos frenéticos, sem dúvida. Sem pessoas a nos bisbilhotar e a dizer "aha, você está online!" Como eu queria voltar para a terapia. Eu me sentaria no divã e falaria tudo, tudo mesmo. "Não quero crescer", eu diria, orgulhosa do meu auto-conhecimento. "Agora eu entendi qual é o meu problema; o núcleo do meu sofrimento."

"Só não sei o que fazer com isso."

Pendurado por Sylvia às 11:06 PM ::

Sexta-feira, Junho 13, 2008

Cachorro Verde

Aos amigos que visitavam esse endereço para obterem informações sobre a dieta natural, uma novidade: inauguramos um blog criado especificamente para discutir esse assunto, entre outros temas da medicina veterinária alternativa, como homeopatia, acupuntura, florais, massagem, etc. Assim a gente centraliza essas questões e organiza o conteúdo.

Anotem aí: www.cachorroverde.blogger.com.br

Espero ver os cachorreiros lá!

Abraços!

Pendurado por Sylvia às 9:33 PM ::

Segunda-feira, Maio 26, 2008

Nossa receita

Fiquei muito feliz em ver o interesse de alguns leitores pela dieta natural que implantamos aqui em casa há quase um mês. Vocês sabem que podem me contactar via e-mail (sylvia_2708@hotmail.com) para mais informações, mas vou publicar aqui o que temos feito até então. Lemos uma porção de coisas e acabamos bolando um cardápio que é uma mistura de vários dos que encontramos, assim temos uma dieta mais flexível. O que buscamos com ela é basicamente imitar o que o lobo comeria na natureza, incluindo, além de carne e ossos, os órgãos internos e seus conteúdos, especialmente os vegetais contidos nos intestinos das presas - é aí que entra o purê de legumes, os óleos, iogurte e etc...

Quando o assunto é Nutrição, não há um modelo perfeito. Mas estudamos bastante e compusemos a receita abaixo. Uma veterinária nutricionista, responsável pela linha Pet Organic (www.petorganic.com.br), que vende e entrega uma dieta similar pronta congelada, deu uma lida e achou que estamos balanceando legal. Ela está de férias e daqui a umas semanas devemos nos encontrar com ela para tirar algumas dúvidas e elaborar uma versão hipoalergênica dessa dieta para o Goomba, que tem alergia (talvez à carne bovina). Mas até agora estamos satisfeitíssimas com os resultados: fezes firmes e bem reduzidas, com menos cheiro, muito menos queda de pêlo, hálitos mais suaves, redução significativa do tártaro e, no caso da Maya e do Oliver, zero coceira e zero alergia (que eles estavam apresentando com a Pro Plan).

Em termos de custo, o que estamos fazendo está na faixa de R$ 100,00 mensais - gastávamos R$ 120,00 num saco de 15kg de Pro Plan Complete. E o melhor: temos tido imenso prazer em preparar as comidinhas dos peludos. A gente escolhe a dedo os ingredientes, conhece as pessoas bacanas da feira e dos mercados que os vendem, mede, prepara. Enfim, paticipamos ativamente do que efetivamente entra nos nossos bichos. E eles, nem se fala! Ficam numa ansiedade sem tamanho por não saberem que gostosura os espera a cada refeição. Nunca vi comerem com tanto gosto, chegando a demorar consideravelmente mais tempo para comer, comparado ao antigo estilo "aspirador-de-grãos-de-ração". Segue abaixo a dieta.

Menu dos meninos:

Goomba, Australian Shepherd, 2 anos e meio, 16kg
Oliver, Pastor de Shetland, 7 anos, 8kg
Maya, Dachshund de Pêlo Longo Miniatura, 4 anos, 4kg

Segunda-feira
Almoço:
Goomba: 270g de frango cru com ossos (asas, costas, pescoço, coxas ou pés)
Oliver: 155g de frango cru com ossos (asas, costas, pescoço, coxas ou pés)
Maya: 75g de frango cru com ossos (asas, costas, pescoço, coxas ou pés)

Jantar:
Goomba: 110g de carne bovina crua sem ossos picada e 85g de purê de vegetais crus
1 colher de chá cheia de óleo de linhaça
1 colher de sopa cheia de iogurte natural integral
Oliver: 65g de carne bovina crua sem ossos picada e 45g de purê de vegetais crus
1 colher de chá rasa de óleo de linhaça
1 colher de sopa rasa de iogurte natural integral
Maya: 30g de carne bovina crua sem ossos picada e 25g de purê de vegetais crus
1/2 colher de chá de óleo de linhaça
1/2 colher de sopa de iogurte natural integral

Terça-Feira
Almoço:
Goomba: 270g de frango cru com ossos (asas, costas, pescoço, coxas ou pés)
Oliver: 155g de frango cru com ossos (asas, costas, pescoço, coxas ou pés)
Maya: 75g de frango cru com ossos (asas, costas, pescoço, coxas ou pés)

Jantar:
Goomba: 110g de carne bovina crua sem ossos picada + fígado bovino cru e 85g de purê de legumes crus
1 colher de chá de fuccus
1 colher de sopa cheia de iogurte natural integral
Oliver: 65g de carne bovina crua sem ossos picada + fígado bovino cru e 45g de purê de legumes crus
1 colher de chá rasa de fuccus
1 colher de sopa rasa de iogurte natural integral
Maya: 30g de carne bovina crua sem ossos picada + fígado bovino cru e 25g de purê de legumes crus
1/2 colher de chá de fuccus
1/2 colher de sopa de iogurte natural integral

Quarta-feira
Almoço:
Goomba: 1 osso bovino grande para roer + 2 ovos inteiros (com casca) cozidos
Oliver: 1 osso bovino médio para roer + 1 ovo inteito (com casca) cozido
Maya: 1 osso bovino pequeno para roer + 1 ovo inteiro (com casca) cozido

Jantar:
Goomba: 110g de carne bovina crua sem ossos picada e 85g de purê de vegetais crus
1 colher de chá cheia de óleo de linhaça
1 colher de sopa cheia de iogurte natural integral
Oliver: 65g de carne bovina crua sem ossos picada e 45g de purê de vegetais crus
1 colher de chá rasa de óleo de linhaça
1 colher de sopa rasa de iogurte natural integral
Maya: 30g de carne bovina crua sem ossos picada e 25g de purê de vegetais crus
1/2 colher de chá de óleo de linhaça
1/2 colher de sopa de iogurte natural integral


Quinta-Feira
Almoço:
Goomba: 1 sardinha grande inteira e cozida + pés de frango (suficiente para completar 270g)
Oliver: 1 sardinha pequena inteira e cozida + pés de frango (suficiente para completar 155g)
Maya: 1/2 sardinha cozida + pés de frango (suficiente para completar 75g)

Jantar:
Goomba: 110g de carne bovina crua sem ossos picada e 85g de purê de legumes crus
1 colher de chá de fuccus
1 colher de sopa cheia de iogurte natural integral
Oliver: 65g de carne bovina crua sem ossos picada e 45g de purê de legumes crus
1 colher de chá rasa de fuccus
1 colher de sopa rasa de iogurte natural integral
Maya: 30g de carne bovina crua sem ossos picada e 25g de purê de legumes crus
1/2 colher de chá de fuccus
1/2 colher de sopa de iogurte natural integral

Sexta-feira
Almoço:
Goomba: 270g de frango cru com ossos (asas, costas, pescoço, coxas ou pés)
Oliver: 155g de frango cru com ossos (asas, costas, pescoço, coxas ou pés)
Maya: 75g de frango cru com ossos (asas, costas, pescoço, coxas ou pés)

Jantar:
Goomba: 110g de carne bovina crua sem ossos picada + miúdos (coração, rim...) e 85g de purê de vegetais crus
1 colher de chá cheia de óleo de linhaça
1 colher de sopa cheia de iogurte natural integral
Oliver: 65g de carne bovina crua sem ossos picada (coração, rim...) e 45g de purê de vegetais crus
1 colher de chá rasa de óleo de linhaça
1 colher de sopa rasa de iogurte natural integral
Maya: 30g de carne bovina crua sem ossos picada (coração, rim...) e 25g de purê de vegetais crus
1/2 colher de chá de óleo de linhaça
1/2 colher de sopa de iogurte natural integral

Sábado
Almoço:
Goomba: 270g de frango cru com ossos (asas, costas, pescoço, coxas ou pés)
Oliver: 155g de frango cru com ossos (asas, costas, pescoço, coxas ou pés)
Maya: 75g de frango cru com ossos (asas, costas, pescoço, coxas ou pés)

Jantar:
Goomba: 110g de carne bovina crua sem ossos picada e 85g de purê de legumes crus
1 colher de chá de fuccus
1 colher de sopa cheia de iogurte natural integral
Oliver: 65g de carne bovina crua sem ossos picada e 45g de purê de legumes crus
1 colher de chá rasa de fuccus
1 colher de sopa rasa de iogurte natural integral
Maya: 30g de carne bovina crua sem ossos picada e 25g de purê de legumes crus
1/2 colher de chá de fuccus
1/2 colher de sopa de iogurte natural integral

Domingo
Almoço:
Goomba: 270g de frango cru com ossos (asas, costas, pescoço, coxas ou pés)
Oliver: 155g de frango cru com ossos (asas, costas, pescoço, coxas ou pés)
Maya: 75g de frango cru com ossos (asas, costas, pescoço, coxas ou pés)

Jantar:
Goomba: 110g de carne bovina crua sem ossos picada e 85g de purê de vegetais crus
1 colher de chá cheia de óleo de linhaça
1 colher de sopa cheia de iogurte natural integral
1 colher de chá de fuccus
Oliver: 65g de carne bovina crua sem ossos picada e 45g de purê de vegetais crus
1 colher de chá rasa de óleo de linhaça
1 colher de sopa rasa de iogurte natural integral
1 colher de chá de fuccus
Maya: 30g de carne bovina crua sem ossos picada e 25g de purê de vegetais crus
1/2 colher de chá de óleo de linhaça
1/2 colher de sopa de iogurte natural integral
1 colher de chá de fuccus

Nos vegetais do jantar temos usado alternadamente e em diferentes combinações (2 ou 3 destes juntos): beterraba, abóbora, abobrinha, cenoura, couve, escarola, pimentão verde, amarelo ou vermelho; tomate, brócolis e couve-flor. Para a carne bovina temos usado músculo ou alguma das carnes magras em promoção no supermercado. (As carnes do jantar e os legumes compramos no Extra. Os frangos e alguns outros legumes compramos no mercado municipal de Santo Amaro e na feira de sábado aqui do Campo Belo - único lugar onde encontramos pescoço e costas de frango). Como petiscos durante o dia damos pedaços de maçã, figo ou banana.

Pendurado por Sylvia às 6:49 PM ::

Segunda-feira, Maio 05, 2008

B.A.R.F. em fotos


Carnes diversas compradas no mercadão de Santo Amaro quarta passada. Tudo fresquinho, de açougue de primeira: um quilo de coxa de frango, outro de costela bovina (de graça por ter bem mais osso que carne - ótimo para os cães roerem e limparem os dentes) e um quilo de asa de frango. A coxa e a asa (pescoço de frango também é legal) são fornecidas na primeira refeição do dia, quando os cães devem comer exclusivamente os chamados meaty bones - ossos com carne.


Músculo bovino. A carne sem ossos - qualquer tipo de carne - é fornecida na refeição da noite, com purê de legumes e alguns suplementos.


A gente lava bem lavadinho cada parte de carne antes de servir ou de congelar. É importante, para evitar contaminação. Uma lavadinha com vinagre de maçã também vai bem, ajuda a desinfetar a carne.


Asas e coxas de frango prontinhas para servir ou congelar. Pescoço de frango, como eu disse, é até melhor por ser mais barato. Mas tá difícil de achar no mercado e no açougue. Vamos tentar a feira cedinho.


Usando uma balança simples (essa é uma digital comprada no supermercado, que comporta até 2kg) a gente pesa a quantidade de carne a ofertar. O Goomba, por exemplo, precisa comer 3% do peso dele, o que dá 270 gramas de ossos com carne de manhã, além da refeição da noite.


O restante a gente congela, nas porções corretas, para cada cão. Para facilitar etiquetamos informando o que contém em cada saquinho. Parece que dá um trabalhão, né? Que nada. É gostoso, relaxante e não demora o que parece. Aí, na véspera, é só tirar a porção do congelador e colocar na pia para descongelar.


Esse é o osso da costela, que ao contrário dos meaty bones, apresenta mais osso do que carne. Pode ser fornecido de manhã acrescido de um pouco de meaty bones (uma asa, pescoço ou coxa) para equilibrar a relação cálcio-fósforo na dieta. Esse tipo de osso eles dão de graça nos açougues. E é ótimo porque com eles os cães raspam os dentes e limpam todo o tártaro acumulado. Se divertem e exercitam os músculos faciais.


Os pratos do Oliver, da Maya e do Goomba com os ossos recreacionais. Repare que a quantidade é proporcional ao peso de cada um.


Goomba atacando seu prato. Alguma dúvida de que os cães preferem BARF à insossa ração industrializada...?


Eu, bestona, não fiz fotos do antes. Mas o Goomba tinha uma certa quantidade de tártaro - e olha que ele tem menos de três anos e sempre comeu exclusivamente ração Super Premium. Essa foto mostra como os dentes ficaram branquinhos depois de roer o osso.


Alguns dos legumes e suplementos que compõem a refeição da noite. Lembra da carne sem osso? Ela é acompanhada por um purê de legumes, uma colherinha de iogurte natural (fonte de probiótico) e outra de óleo de linhaça (multivitamínico).


Essa foi a versão beta dos jantares dos dogs. Folhas de couve, rodelas de cenoura, músculo e os suplementos. Só que percebemos que a cenoura saía quase que inteira no cocô. Daí fomos ler mais e descobrimos que um purê (batido no liqüidificador) é a maneira ideal de ofertar legumes.


Ontem compramos escarola, beterraba, abobrinha, abóbora, pimentão verde, cenoura e couve. Tudo foi lavadinho e batido (separadamente) no liqüidificador para gerar o tal purê. Demos um pouquinho de cada purê para os cachorros e a aceitação foi imediata! Compramos alguns tupperwares baratinhos e combinamos carne com legumes. Em cada potinho vai a porção de carne sem osso (do jantar) dos três + a porção de legumes batidos dos três. Para cada dia fizemos uma combinação de legumes, nunca misturando todos de uma vez.


É importante variar a carne oferecida, principalmente a que entra na refeição da noite. Cães são como nós: nunca vão ingerir tudo o que precisam em uma única ingestão. Por isso precisam comer de tudo: miúdos, carne suína, bovina, "franguina", peixes e cortes variados. Nesse prato tem bisteca, peito de frango e fraldinha. Sempre tem uma carne em promoção no mercado. Vale a pena pesquisar.


Esse é um dos pratinhos com as porções dos meninos referentes a um jantar. Fraldinha com pedaços de rim bovino (em minoria) + purê de abóbora e de abobrinha. Aí é só etiquetar e guardar no congelador. Hoje fizemos potinhos como esse para uns sete dias de dieta BARF ou mais. É super gostoso participar ativamente da comida que os nossos cães comem, preparar e oferecer. A gente se sente até uma nutricionista!


Olha as caras dos três pra fora da cozinha loucos pra comer a BARF que a gente está preparando!

Pendurado por Sylvia às 8:03 PM ::

Sábado, Maio 03, 2008

O que motivou a gente a estudar a B.A.R.F.

Uma série de fatores influenciaram a nossa procura por uma nutrição natural para os peludos aqui de casa. O primeiro deles foi a nossa total perda de fé na indústria das rações para pets, por motivos que serão explicados daqui a pouco. Nossos cães sempre comeram apenas rações Super Premium e no entanto os três sofrem com problemas dermatológicos recidivantes (que retornam toda hora) e doença periodontal (“tártaro” e mau hálito). Pesquisamos muito e o que aprendemos é assunto para um livro. Mas vou tentar transmitir aqui os detalhes mais importantes. Ao fim do texto, os interessados poderão encontrar mais dados nas fontes sugeridas por nós.

1. A base da ração é o milho, um grão energético e barato, porém altamente indigestível por carnívoros (ou você já viu algum lobo no Animal Planet devorando uma espiga?...). Esse excesso de milho é o que causa fermentações gástricas, ajuda a criar o mau hálito, tártaro, predispõe a alergias, volume intenso das fezes e favorece a torção gástrica (condição potencialmente fatal que leva ao estufamento e à rotação do estômago do cão). Existem até estudos ligando a ingestão excessiva de milho ao aumento da agressividade nos cães...

Como se isso tudo não bastasse, esse milho - que muitas vezes é transgênico, apesar de o público desconhecer essa informação - pode ter sofrido um mau processo de transporte e conservação, entrando mofado na composição da ração. Usando as palavras do um professor, doutor em nutrição animal, "o problema não é o mofo em si, mas as toxinas geradas pelo fungo quando ele se estressa." Ou seja, aparentemente, a presença de mofo nos grãos é uma situação corriqueira dentro das indústrias. O problema é o mofo se estressar e liberar essas toxinas...

Agora, você já viu alguma embalagem de ração informando a presença maciça de milho em sua composição? Provavelmente não. Sabe por que? Porque até os leigos sabem que milho não é comida de carnívoro.

2. E as rações à base de arroz? Bem, arroz é um grão mais nobre. Por isso mesmo nessas rações supostamente "à base de arroz", o milho ainda está predominantemente presente. E esse arroz, ainda segundo uma fonte fidedigna, é muitas vezes arroz impróprio para connsumo humano. Ou seja, sacas caídas dos caminhões, safras ruins, acometidas, etc.

3. E aqueles legumes fresquinhos que aparecem nas propagandas das rações na TV? Esqueça. Legumes são nobríssimos e estragam com facilidade. No lugar de legumes, entram vitaminas sintéticas (a China é um dos principais fornecedores) para mimetizar os nutrientes dos legumes.

4. Proteína é um capítulo à parte. Todo mundo sabe que carne deveria ser a principal fonte de alimento de cães e gatos. A fonte número 1. Mas quem acha que esse nobre ingrediente entra na composição se engana. Ou pelo menos se decepciona ao descobrir o tipo de "carne" que entra. Quando eles dizem "carne de frango", entenda “subprodutos”, como bico, penas, pés e sangue de aves, na forma de farinha. Ou você acha que seu animal ingere, por meio da ração, as mesmas partes nobres de carne que você e sua família? Os formuladores das rações garantem que os níveis de proteína dos subprodutos é tão alto quanto a da carne fresca.

Mas existe uma coisa chamada biodisponibilidade. E é ela quem determina se o organismo do seu cão irá conseguir, de fato, absorver aquela proteína. Uma bota de couro pode ser rica em proteína, mas isso não significa que você (ou qualquer animal) consiga aproveitar esse nutriente. E é isso o que diferencia uma farinha de bico de frango de um pedaço de carne propriamente dito. Na verdade os formuladores sabem disso. Eles sabem muito bem que os processos de peletização – para fazer o croquetinho da ração - e o de extrusão – que aumenta a vida útil da ração - submetem a mistura a temperaturas tão altas que terminam por degradar qualquer valor protéico que os subprodutos tenham.

Como eles fazem, então, para impedir que seu cão desenvolva anemia? Compensam, colocando aminoácidos (a menor porção da proteína) diretamente na mistura da ração. Mas a gente sabe que a simples presença de aminoácidos sintéticos na ração não substitui o processo natural de digestão e absorção de fontes protéicas de boa procedência. Se não fosse assim, poderíamos trocar bifes e filés por pílulas. Alguém topa? Alguém toparia fazer isso com um filho pequeno? Resumindo, aquelas ilustrações no rótulo das rações, que mostram deliciosos cortes de carne, jarras de leite fresco, etc, camuflam a presença de farinhas de subprodutos pouco aproveitáveis que uma vez superaquecidos não servem para nada, salvo para constarem na fórmula como ingredientes de origem animal.

E isso não é só no Brasil, não.

5. Você deve ter acompanhado o recall de diversas rações nos Estados Unidos no ano passado. Dezenas de cães morreram por insuficiência renal aguda ocasionada por toxinas de microorganismos presentes no trigo utilizado naquelas rações. Fica evidente a falta de critérios para um ingrediente entrar na ração dos pets. Existe fiscalização? Mais ou menos. Os órgãos oferecem cursos que formam fiscais. Mas esses profissionais muitas vezes são empregados (e muito bem remunerados) pelas próprias indústrias de ração, tornando-se funcionários destas. Dá pra conservar alguma idoneidade profissional trabalhando assim?

O próprio Ministério da Agricultura confere apenas os rótulos das rações e os estabelecimentos antes de permitir o ingresso de um novo produto no mercado pet.

Diversos vídeos (publiquei alguns ao final do post) revelam as verdadeiras fontes de “carne fresca” que entram na composição das rações norte-americanas: corpos de animais testados em laboratório (entupidos de medicamentos e ainda portando microchips, coleiras, etc...), animais atropelados (selvagens e domésticos), animais eutanasiados (sacrificados) em clínicas veterinárias, abrigos e centros de controle de zoonoses, animais acometidos por doenças como febre aftosa, tumores, etc. Ou seja, o que entra na ração é tudo aquilo que não é apropriado para consumo humano.

6. Por que então as rações são tão caras? Porque estamos pagando o maquinário caríssimo e sua manutenção, os salários dos funcionários, o marketing, as pesquisas e investimentos voltados ao desenvolvimento contínuo de aditivos como palatabilizantes, odorizantes, corantes e, principalmente, conservantes. O objetivo dessas indústrias não é oferecer produtos de qualidade. Não é melhorar a matéria-prima. O objetivo é abocanhar a maior fatia possível desse mercado bilionário, e “consertar” erros de fórmula trabalhando conceitos convenientes em propagandas que custam milhões de dólares e em embalagens que trazem informações deliberadamente equivocadas. É aquela velha história: para que melhorar a base – coisa cara pra chuchu – se posso pagar menos convencendo o público de que lixo é ouro?

7.Se na ração não há nem carne de verdade, por que os meus cães gostam tanto? Por causa dos aditivos como os palatabilizantes e odorizantes. Gastam-se milhares de dólares em pesquisas todos os anos em busca daquele aditivo que fará seu cão salivar como nas propagandas e preferir a marca X à marca Y. Tudo sintético, é claro.

8. Outra informação importante é com relação aos conservantes. Para fabricar uma ração que dure até dois anos nas prateleiras das lojas, as indústrias investem pesado em embalagens tecnológicas e em conservantes agressivos, muitos deles notoriamente cancerígenos. Não é a toa que nutricionistas de humanos nos mandam comer alimentos frescos e evitar excesso de salgadinhos, congelados, processados e etc. Porque faz mal. E para os animais é a mesma regra. Agora imagina se você comesse todo dia um alimento feito para durar 2 anos? Repleto de substâncias químicas, antibióticos, farinhas, matéria-prima pobre, ração vencida (sim, elas entram de novo na composição de novas batidas)...

9. Você é o que você come, certo? A nutrição é a base da saúde. E é por esse motivo que nossos cães estão adoecendo tanto. Podem até estar vivendo mais – e estão! – em comparação a vinte, trinta anos atrás. Mas esse mérito não se deve às rações secas, industrializadas e supostamente balanceadas. Os cães estão vivendo mais por causa do avanço da medicina, das cirurgias, dos diagnósticos, do maior conhecimento por parte dos proprietários, por conta da prevenção em geral.

Mas chega a velhice e a maioria adoece de insuficiência renal, doenças cardíacas, tumores, diabetes, enfermidades relacionadas a obesidade, problemas oftálmicos, alérgicos, gástricos, dentários e etc. Ou seja, estão vivendo mais, isso é fato. Mas em vez de perecerem com qualidade de vida, morrendo tranqüilamente de velhice, como acontecia freqüentemente no passado, estão definhando quase que obrigatoriamente de doenças crônicas, em proporção muito maior do que os idosos humanos. E uma das coisas que mudou radicalmente nos últimos 20-30 anos foi justamente a alimentação dos pets, que antes comiam carne, arroz e legumes ou restos da nossa comida. E que hoje comem ração industrializada.

Não é de se pensar a respeito?




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Mais informações (infelizmente, só encontrei material em inglês):

Vídeos:

Pet Food Industry Revealed




The Truth About Pet Food (1)



The Truth About Pet Food (2)



What's Really in Pet Food



Livros - Disponíveis para compra pelo site da Amazon.

The BARF Diet: Raw Feeding for Dogs and Cats Using Evolutionary Principles (Paperback)
Autor: Ian Billinghurst

Raw Dog Food: Make It Easy for You and Your Dog
Autora: Carina Beth Macdonald

Raw Meaty Bones Promote Health
Autor: Tom Lonsdale

Food Pets Die For: Shocking Facts About Pet Food
Autora: Ann Martin

Links:

What’s Really in Pet Food
http://www.api4animals.org/facts.php?p=359&more=1

Veterinários confirmam os fatos
http://www.shirleys-wellness-cafe.com/jesse.htm

Artigo bem completo sobre ingredientes e fabricação
http://www.gopetsamerica.com/dog-health/pet-food.aspx

Um website sobre BARF
http://www.barfworld.com

Pendurado por Sylvia às 2:04 PM ::

Quarta-feira, Abril 30, 2008

Update

Pois é, faz um tempão que não escrevo aqui. Vamos ver se consigo retomar aos poucos...O que me travou foi o seguinte: uma certa pessoa da família - doida e muito mal intencionada - descobriu meu blog e passou a me enviar cartas chantagistas e com ameaças. Eu não soube, e confesso que ainda não sei, lidar com isso. Das duas, uma: ou aprendo a me expôr menos, o que admito, diminuiria bem meu interesse por postar nesse espaço - algo terapêutico pra mim. Ou crio um novo endereço, anônimo, e divulgo para aqueles leitores que me procurarem (por e-mail) e que conseguirem me convencer, por meio de algumas linhas, de que não são a pessoinha em questão.

Complicado, né? Enfim, aceito sugestões da minha meia dúzia de leitores.

O que fiz de bom durante esse período de ausência? Vamos ver...

- Depois de passar por uma fase de desânimo com a Veterinária, pela quase certeza de que não presto para Cirurgia e também por questionar os critérios vigentes de imunização, nutrição e terapêuticas - que considero excessivamente deletérias à saúde dos bichos -, me encontrei. Extraí de uma palestra sobre Marketing Vet (justo numa dessas palestras!) a seguinte informação: "estudem o que verdadeiramente interessa a vocês e se entreguem a isso, primordialmente." Foi aí que eu mandei o conservadorismo pastar e assumi a minha crescente identificação pelas medicinas alternativas e pela nutrição natural. Aleluia, irmãos!

- Sabe-se lá como, mas também acabei assumindo o cargo de representante de sala. Tive uns contratempos com um professor que atravessava um momento difícil na vida, mas so far so good. Até criei um blog para a nossa turma, o www.vetma4.blogspot.com , semelhante ao que desenvolvi para a minha outra classe de Vet lá na Unip. Confesso que gosto disso, de trabalhar para melhorar a comunicação sala-docentes. Vamos ver no que dá...

- Minha irmã veio passar um tempo no Brasil (no final de março). Foi muito gostoso apesar do meu receio de que 6 bichos num apartamento + três pessoas não ia dar samba. Mas deu. Foi uma das melhores temporadas da Fê por aqui. Nos divertimos muito e tentei dedicar a ela o máximo do meu tempo possível.

- Nossa empresinha, o FotoPets, está indo muito bem. De março para cá elaboramos quatro trabalhos fotográficos, cinco websites, cinco logotipos, layouts para convites de festa, cartões de visita, um banner e cartões postais de divulgação. Pela primeira vez em alguns anos pudemos turbinar nosso pequeno negócio adquirindo um Flash fotográfico de primeira linha, um monitor LCD de 19 polegadas para a Van tratar imagens com maior conforto visual, e até um fundo fotográfico profissional portátil com lona preta bem comprida. Agora estamos vendo de abrir empresa...

- Também estamos estudando a possibilidade de - enfim - nos mudarmos desse apê para um sobrado. Insistimos horrores e hoje temos a quase-bênção do meu pap's que têm nos acompanhado a alguns imóveis candidatos. Não vemos a hora de curtir os dogs numa área externa, com sol e ar fresco. E a Van está louquinha pra transformar um dormitório em estúdio fotográfico. Torçam. Torçam muito.

- Assumindo de vez minha postura de alternatista de carteirinha - embora eu lhes jure: não é intencional - me matriculei num curso de extensão em homeopatia da faculdade FACIS (que é exclusivamente voltada a terapias alternativas). Comecei sábado passado. Vou passar lá um sábado por mês, durante seis meses, das 8:00 às 17:00. Estou amando. A possibilidade de futuramente vir a me tornar uma veterinária arejada e humanista, clínica homeopata e alopata, me traz um incentivo absurdo. Quero ampliar isso fazendo um estágio com alguém da área. Mandei um e-mail para uma veterinária renomada, pedindo um estágio em julho. Ai, ai...

- A partir de hoje também decidimos não mais sustentar a indústria das rações para cães, que enganam os consumidores oferecendo um produto de baixíssima qualidade (por mais Super Premium que seja a marca...), predispondo nossos pets a doenças de pele que não se curam e a diversos tipos de câncer e insuficiências precoces de órgãos. Eu mesma, até pouco tempo ferrenha defensora dos alimentos industrializados, me vi sem saída quando aprendi em aula, estudei e assisti a vídeos sobre o que realmente vai parar na ração. É estarrecedor e muito lamentável que pouquíssimos tenham esse conhecimento. De qualquer maneira, estamos realizando um sonho: nossos meninos hoje passaram a comer dieta natural à base de carne fresca e legumes. É a B.A.R.F (Bones and Raw Food - Ossos e Comida Crua), uma alimentação desenvolvida por um veterinário australiano, com o objetivo de ofertar aos cães dietas que imitam o que esses bichos realmente comeriam na natureza. Nada de farinhas, conservantes, palatabilizantes, antibióticos e subprodutos. Começamos hoje e os cães amaram! Atendendo a pedidos, vou tentar manter um diarinho aqui contando um pouco sobre as nossas experiências com essa dieta.

Abraços em todos!!

Pendurado por Sylvia às 11:48 PM ::

Sábado, Março 08, 2008

Aviso: esse blog ficará sem atualizações por tempo indeterminado.

Motivos:

1-) A presença inibitória de certos leitores (...) que parece ser algo incontornável;

2-) O fato de que não ando me achando grande coisa ultimamente.

Até um dia desses!

Pendurado por Sylvia às 4:08 AM ::

Domingo, Fevereiro 24, 2008

Em menos de 20 anos, seremos 9 bilhões.

Toda vez que assisto o imperdível documentário "Uma Verdade Inconveniente", do Al Gore, mergulho inevitavelmente num estado de melancolia.Porque partilho de tudo o que o filme propõe para mudarmos a situação e ao menos minimizar os efeitos do aquecimento global, dentre outros problemas. Mas me vejo só nessas convicções. Sei que amanhã, um domingo, estarei ouvindo assuntos vazios e fúteis na hora do almoço. Comentários sobre moda, festas e jantares.

Conversaremos sobre casais e seus muitos filhos recém-nascidos, mais indivíduos a perambular nessa Terra superpopulada e a consumir os já escassos recursos naturais com pouco ou nenhum respeito. É horrível admitir isso, mas faz tempo que eu me esforço em parecer feliz quando ouço notícias de gravidez. Um filho, vá lá. Mas dois, três, quatro, do modo que as coisas estão? No mínimo, um ato egoísta.

Aquele adágio de adesivo de carro dizia:

Antes de morrer, plante uma árvore, escreva um livro, tenha um filho.

Mas quantos filhos foram feitos na proporção de livros escritos e, principalmente, de árvores plantadas? Nem quero saber. Por mim, o velho refrão mudava para:

Antes de morrer, plante uma árvore, escreva um livro e, se possível, adote um filho.

Pendurado por Sylvia às 12:06 AM ::

Quinta-feira, Fevereiro 07, 2008

Bebês Robocop

Nossa família está aumentando. Dois anos atrás nasceu minha primeira sobrinha, a Rafa. Ano passado, nasceu um priminho, Henrique. Semana passada ganhei uma segunda sobrinha, Maria Clara. E em maio chega mais um garotinho, Luca, que me fará tia pela terceira vez. Quero só ver essa turminha na casa do meu pai aos domingos. Vão deixar minha madrasta de cabelos em pé.

E também vão me levar à falência com as festinhas de aniversário.

Por falar em falência, estivemos ontem na casa de meu irmão e de sua esposa, atualmente grávidos do meu sobrinho. E ficamos impressionadas com os valores ($) dos itens que eles precisam comprar - ou que já compraram - para o bebê. Minha nossa senhora, como é caro esse negócio de ter filho!! E como é complicado!!

E como a indústria de produtos para bebês explora esse público. Meu irmão e a Carol são um bom exemplo. Obcecados por segurança, afinal já passaram péssimos bocados nas mãos de assaltantes duas vezes, eles almejam comprar o suposto "moisés" (espécie de cesta pra pôr o bebê) mais seguro do mundo de acordo com uma pesquisa da Quatro Rodas. O produto é vendido extra-oficialmente no Brasil a estarrecedores R$ 1.400,00 por ser ergonômico para a anatomia do recém-nascido, e, principalmente, por aumentar as chances de sobrevivência do bebê em caso de batida de carro (!).

Tive vontade de perguntar se o negócio também protegeria a criança em caso de batida de caminhão, mas me segurei, pra não aumentar a angústia do casal.

O mais impressionante é que mesmo sem recursos, muitos pais se enforcam pra comprar coisas desse tipo para o rebento. Essa obssessão com a sobrevivência do bebê no primeiro ano é obviamente influência da indústria. De que outra maneira explicar que a maioria das crianças que conheço - e que cresceram comigo e antes de mim - sobreviveram à primeira infância sem o advento de berços com regulação térmica ou mamadeiras com dispositivo anti-engasgo??

E por que é que essa preocupação excessiva com a segurança do filho não é estendida aos anos seguintes? Cinto de segurança traseiro, por exemplo, quase ninguém usa. Será que isso significa que a vida do bebê é mais valiosa e importante que a de uma criança de onze anos cujos pais nem lembram de mandá-la afivelar os cintos?

Lógica estranha a desse povo, viu?

Só sei que o primeiro que inventar um carrinho de bebê à prova de balas tá feito. Com algum esforço até consigo ver a propaganda: "Bebê em São Paulo? Só com o kit anti-trombadinha!! Com ele, você pode passear até na favela!! E se comprar agora, você leva inteiramente grátis um colete à prova de fogo que protege o seu tesourinho em caso de explosão!! Ligue já!!"

Pendurado por Sylvia às 6:14 PM ::

Sexta-feira, Fevereiro 01, 2008

Produção de férias

Esses são os trabalhos que o FotoPets minha empresa com a Van, realizou nessas férias até o dia de hoje. (Clique sobre as figuras para acessar os sites).

Clínica Veterinária Animaletto. Fizemos as fotos e o layout.



Clínica Veterinária Sir Dog. Fizemos o layout e em breve faremos as fotos.



AG Eventos. Fizemos o layout, a animação em FLASH da primeira página, os textos e o logo.



Academia Flexxi 360. Fizemos o layout e em breve faremos um banner pra eles.



Laboratório Veterinário Lab Pet. Ainda em construção. Fizemos o layout.



Logomarca para o canil South Princess, que criará as raças: Beagle, Lhasa Apso, Australian Shepherd e Keeshond.



Book Fotográfico da cadela BluJean, uma Kerry Blue Terrier.



Ufa...

Pendurado por Sylvia às 12:15 AM ::